domingo, 11 de novembro de 2012

Desvendando rótulos de alimentos industrializados

Manter uma alimentação balanceada é um grande desafio para a maioria das pessoas que trabalha fora em tempo integral. A rotina corrida e a falta de tempo acabam levando homens e mulheres a escolher comidas prontas na hora de fazer suas refeições e optar por lanches industrializados, como biscoitos, bolos e sucos de caixinha, já que são mais práticos e fáceis de levar. Mas como recorrer a estas alternativas sem comprometer a saúde?
Segundo a nutricionista da Central de Perícia Médica da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec), Rosana Monteiro, antes de comprar qualquer produto industrializado é essencial não somente olhar a tabela nutricional que vem estampada nos rótulos, como saber interpretá-la corretamente.
Dados recentes do Ministério da Saúde demonstram que aproximadamente 70% das pessoas consultam os rótulos dos alimentos no momento da compra, no entanto mais da metade não compreende adequadamente o significado das informações.
Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre empresas e consumidores e devem trazer uma tabela nutricional com informações sobre a quantidade de calorias, carboidratos, proteínas, gordura total, gordura trans, fibras e sódio presentes em determinada porção de alimento e os valores nutricionais recomendáveis para a população – explica.
Identificar o que significa cada componente e fazer as escolhas de acordo com as necessidades específicas, que podem variar de acordo com gênero, idade, peso e altura, deve ser o ponto de partida. Algumas pessoas que fazem dieta se limitam a olhar o número de calorias dos alimentos e a optar pelo que oferece o valor calórico mais reduzido. Entretanto, de acordo com a nutricionista da Central de Perícia Médica da Sesdec, Érica Oliveira, o dado não pode ser decisivo na hora da compra.
A observação do valor calórico nos rótulos dos alimentos é importante para que o indivíduo evite consumir mais energia do que o necessário, evitando o ganho de peso excessivo. No entanto, a observação isolada do valor calórico não constitui garantia quanto à escolha do alimento mais saudável. Outros nutrientes como o sódio, as gorduras totais, trans e saturadas devem receber atenção especial, pois seu consumo em grandes quantidades está fortemente associado ao desenvolvimento de uma variedade de doenças –, alerta.

Light ou diet

Uma boa alternativa para quem está de dieta é optar por produtos light, que apresentam valor energético ou de nutrientes reduzido, quando comparados ao de um alimento convencional. Já o termo diet pode ser utilizado para denominar alimentos especialmente formulados para portadores de alguma deficiência que exija restrição/ausência de determinados nutrientes na dieta. Pessoas com diabetes, por exemplo, já dispõe de diversas opções de produtos com ausência de açúcar na formulação. Segundo Érica, não necessariamente o conteúdo de açúcares ou energia precisa ser reduzido, uma vez que podem ser alteradas as quantidades de gorduras, proteínas ou sódio. Daí a importância da leitura dos rótulos para adequação do consumo às necessidades individuais.

(Não) Contém Glúten

Certamente você já observou este alerta estampado na embalagem de produtos que tenha consumido.
Mas, afinal, o que representa este componente e por que é importante destacá-lo?
A identificação dos alimentos que contém glúten é indispensável para alertar as pessoas portadoras da doença celíaca, que é uma intolerância permanente ao glúten – proteína presente no trigo, no centeio, na cevada, no malte e na aveia. Portanto, estes indivíduos não podem consumir pães, bolos, bolachas, macarrão, salgados e bebidas que contenham o glúten em sua composição ou processo de fabricação, sob risco de desenvolverem complicações como linfoma intestinal e osteoporose – esclarece Érica.

Desvendando os componentes

Para garantir uma alimentação saudável, é importante priorizar os alimentos minimamente processados, ou seja, cereais integrais, frutas, hortaliças, laticínios e carnes magras.
O indivíduo deve procurar pensar na relação custo-benefício para a saúde e a qualidade de vida que este tipo de escolha será capaz de produzir ao longo do tempo -, destaca Rosana.
Alimentos industrializados devem ser consumidos com cautela, com atenção aos rótulos e levando-se em conta a integridade da embalagem, o prazo de validade e o selo de inspeção. Deve-se dar preferência a produtos com alto percentual de fibras e baixo percentual de gorduras saturadas, gorduras trans e sódio. Para facilitar, as nutricionistas explicam o que significa cada componente da tabela nutricional.
Carboidratos: a principal função é fornecer a energia para as células do corpo, principalmente do cérebro. São encontrados em maior quantidade em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, tubérculos - como batata, mandioca e inhame - e doces em geral.
Proteínas: necessárias para construção e manutenção dos órgãos, tecidos e células. Encontradas nas carnes, ovos, leites e derivados e nas leguminosas (feijões, soja e ervilha).
Gordura total: as gorduras são as principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K. As gorduras totais referem-se à soma de todos os tipos de gorduras encontradas em um alimento, tanto de origem animal quanto de origem vegetal.
Gorduras saturadas: tipo de gordura presente em alimentos de origem animal. São exemplos: carnes, toucinho, pele de frango, queijos, leite integral, manteiga, requeijão e iogurte. O consumo desse tipo de gordura deve ser moderado, pois quando consumido em grandes quantidades pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças do coração.
Gordura trans: tipo de gordura encontrada em alguns alimentos industrializados como margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos prontos, produtos de panificação, alimentos fritos e lanches salgados que utilizam as gorduras vegetais hidrogenadas na sua preparação. Considerando que o organismo não necessita desse tipo de gordura, o consumo deve ser reduzido – o limite são dois gramas por dia. Quando consumida em grandes quantidades, pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças do coração.
Fibras alimentares: presente em diversos tipos de alimentos de origem vegetal, como frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais. A ingestão de fibras auxilia no funcionamento do intestino.
Sódio: presente no sal de cozinha e em alimentos industrializados, como salgadinhos de pacote, molhos prontos, embutidos e produtos enlatados, devendo ser consumido com moderação, uma vez que o consumo excessivo pode levar ao aumento da pressão arterial.
Fonte: www.saude.rj.gov.br

Aluno: Danilo Queiroz

 

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